WWW: TRI/P, limousines e astronautas

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Eu me amarro em webcomics.

Sabendo disso, resolvi criar essa seção nova, a WWW, e quero sempre trazer uns quadrinhos massa que tão por aí nesse grande mundo que é a internet. Acho que esse tipo de publicação dá uma liberdade grande ao autor, com possibilidades de experimentar na forma, no conteúdo, nas plataformas de publicação etc., além de muitas vezes ser publicado de forma independente. Para mim há um grande diferencial, que considero um atrativo à parte: a periodicidade. Eu uso um agregador de feeds, o Feedly, e nele tenho uma parte só dedicada a quadrinhos publicados  online, onde todo dia tem quadrinho novo para ler, seja porque a publicação é diária, duas vezes na semana, três vezes na semana, qualquer dia menos sexta-feira, só domingo, ou a minha favorita, que é sem periodicidade nenhuma, podendo aparecer a qualquer momento, te lembrando que ainda publica bons quadrinhos.

Uma dessas webcomics é a TRI/P, que, como o subtítulo já diz, “são três quadros, nenhum texto, simples. E Astronautas, porque todo mundo ama astronautas”. Nesses três quadros o desenhista Jasper Rietman vai explorar o nonsense, o absurdo,  astronautas – e penso que ele tem uma coisa com limousines também -, num tom melancólico e sempre meio irônico, às vezes até meio macabro.

A tira de hoje fez uma escolha narrativa que sempre me agrada, dividindo a ação única entre os quadros, como num longo quadro horizontal, só que recortado; olha só:

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Nessa ele fez algo parecido, mas fazendo do quadro do meio um encontro/resolução dos quadros das extremidades:

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Abaixo fiz uma seleção de algumas que me amarro, com muita ironia, bom humor, limousines e uma pontada de “porra, pegou pesado, cara”:

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Para ler mais de TRI/P, é só entrar no site!

RFLX: #1 Sem Título

Nunca li PERSÉPOLIS. Ainda não li nada de Bechdel, mas tô quase, dá pra sentir. Só fui ler MAUS ano passado. Cresci lendo Disney, não Turma da Mônica. Não sei como é a cara de diversos quadrinistas que gosto. Sou fissurado na newsletter de Warren Ellis, a ORBITAL OPERATIONS. Não tenho preconceito com o quadrinho nacional e isso me deixa feliz pra caralho. Ainda não li JIMMY CORRIGAN. Às vezes tenho medo de perder o timing de alguns gibis. Tentei ler V DE VINGANÇA e abandonei; ainda não tentei de novo. Todo Natal eu leio SNOW DOPE. Demolidor é um de meus personagens favoritos, mas nunca li A QUEDA DE MURDOCK. Passei um tempo encantado, cego até, com a Image Comics, mas agora consigo enxergar. Nunca li RETALHOS. Não seria estranho sonhar que meu BUILDING STORIES estragava antes que eu conseguisse lê-lo. Até hoje não consegui terminar de ler SANDMAN. Quando li WATCHMEN, li pulando a história-dentro-da-história. Li ARZACH depois de fumar um beque e foi uma experiência incrível (mas só consegui ler as histórias sem falas). Meu primeiro ídolo do quadrinho nacional foi o Gomba. Minhas edições 1 e 2 de VALENTE são da Pandemônio. Tenho um roteiro de uma história de cinco páginas que acho que funcionaria. Até hoje não terminei PLANETARY. Eu gosto do traço do Jeff Lemire e não suporto o de Renato Guedes. Tenho um carinho grande por webcomics. Não ter prosseguido com o espanhol e o francês faz com que eu me sinta impedido de visitar novos universos. Nunca li Joe Sacco.

DOGS AND WATER, Anders Nilsen

CRICRI: SuperMutant Magic Academy

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Ouço falar de Jillian Tamaki há algum tempo. Ontem, por acaso, chapado e buscando algo para ler, acabei lendo algo dela. Li SUPERMUTANT MAGIC ACADEMY – que eu nem lembrava que era dela, diga-se -, e… Uau. Fui fisgado na hora; abduzido, até.

A versão que eu tenho de SMMA é, na verdade, uma edição do Free Comic Book Day, evento norte-americano onde – salvo engano, é no Dia do Quadrinho – várias editoras lançam um gibi gratuito, para deleite dos fãs – e em busca de novos fã$. Normalmente essas edições contam com histórias curtas ou trechos de obras/personagens já consolidadas, ou alguma prévia de material que está para sair. No meu caso, pensei que ia ler o encadernado, mas era essa versão do FCBD, adquirida no mercado informal, daí a confusão.

Era importante destacar isso, porque eu não sabia nada sobre SUMERMUTANT MAGIC ACADEMY. Eu imaginava uma graphic novel indie com mutantes e aventuras. Em vez disso, me deparo com quase todas as páginas na mesma disposição de seis quadros, com adolescentes estudantes mutantes sem nomes – pelo menos nessa edição -, e um timing de comédia excelente, puxando muito pro sarcasmo e pro absurdo, com um toque aqui e ali de drama. Depois de uma rápida pesquisa, descobri que SMMA era publicado online, e que a versão encadernada compila toda a publicação, mais algumas páginas inéditas.

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As páginas que li não formavam uma sequência, mas mostraram um universo bem construído. Pelo que pude entender, existe uma escola meio Westchester, meio Hogwarts, onde estudam crianças normais e crianças mutantes, que têm cabeça de dinossauro, cabeça de golfinho, fazem metamorfose etc. Por não saber se há uma trama interna no encadernado, não posso afirmar, a partir dessas páginas, que elas não têm um grande perigo a enfrentar, um mistério a resolver ou um inimigo a derrotar, como acontece nessas outras escolas. O que me fisgou foi, justamente, a normalidade de todas elas. Aqui, contrário aos X-Men, onde as mutações servirão de pano de fundo para analogias com o preconceito racial, as mutações serão usadas como metáfora da adolescência.

Rola, também, uma quebra dos clichês: aqui, a patricinha é pessimista e fatalista e o esportista lê Joyce, tranquilamente, sentado à sombra.IMG_0889.PNG

O humor é na mosca e explora bem os absurdos de se estar numa escola mutante com o absurdo de ser adolescente; a página ao lado, com o menino-golfinho ouvindo tudo que falam sobre ele, e derramando uma única lágrima, é certeira. Me peguei rindo – e me identificando – várias vezes, não só com essa, mas com quase todas as outras páginas (e já saí mostrando para amigos e amigas). E o traço de Jillian é uma delícia! Nessas 15 páginas ela foi do tom cartum tipo Kate Beaton, com coisas meio rabiscadas, a contornos grossos com pincel, revelando uma forte influência do mangá, especialmente nas páginas que ela busca passar melancolia, usando um nanquim diluído.Como disse: fisgado, abduzido.

Se antes Jillian Tamaki estava no meu radar, ela agora está, sem dúvidas, na minha mira e na minha lista de próximas leituras!

Abaixo, algumas das páginas de que mais gostei:

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